
É imprescindível que se crie uma Lei que regule o procedimento em relação aos concursos públicos. Muito se fala acerca do vestibular, da pressão sofrida pelos vestibulandos, mas se esquece da tão sofrida, ou até pior pressão sofrida pelos concursandos. Muitas vezes porque os candidatos se deparam com matérias que nunca viram na vida, como Direito Constitucional e Administrativo - com sua linguagem prolixa -, imensa variedade de doutrinadores e, tendo que ter domínio da jurisprudência. Sem contar a concorrência acirrada, fazendo com que mesmo com horas de estudo, seja extremamente difícil conseguir um “lugar ao sol” – entenda-se o cargo desejado e a tão sonhada estabilidade. Há a pressão da família, do (a) próprio (a) candidato (a) sobre si… Há os incontáveis sacrifícios, a falta de tempo para a vida social, a tensão, o estresse, a redação…
Sem contar as inúmeras matérias cobradas nos editais, e que por vezes, nada tem a ver com o cargo a ser disputado, a falta de referência bibliográfica e o custo envolvido, seja para pagar um bom cursinho preparatório ou para comprar as nada baratas apostilas… As incontáveis fraudes, as exigências durante o certame – umas necessárias, outras descabidas – a espera após a prova para saber o resultado final, após horas de dor na coluna, no mínimo, ao se preencher aquelas malditas bolinhas do cartão resposta, utilizadas para correção eletrônica, a mera expectativa de direito a ser nomeado, quando se passa, mas não se classifica. Logo, segue-se o desânimo, a depressão, a sensação da vida passando e o concurseiro parado no tempo… Um autêntico concurseiro sabe que o sofrimento do vestibular é fichinha perto do que ele passa.
A última pérola, para não se dizer outra coisa, é cobrar Francês em prova para nível médio. Trata-se de concurso público para Hemobrás, organizada pelo Cespe. Como para nível superior não havia como fazer, porque exigia-se formação em nível superior que não possuo, inscrevi-me para nível médio. Aliás, engana-se quem pensa que as provas de nível médio são mais fáceis, ledo engano. Vi a informação sobre cair o idioma frânces para a prova, mas acreditando se tratar de exigência para cargos de nível superior me inscrevi. Semana passada, ainda estudava para outro concurso, nesta semana, quando fui verificar o conteúdo programático para nível médio e, assustei-me quando vi Francês. Ora, num país onde não se valoriza a educação, e onde grande parte da população não sabe nem o básico da língua materna – o português – como ousam cobrar, um idioma que nem sequer é visto no ensino médio? Isso é um desrespeito. Concurseiros exigem respeito! E, precisam se unir e exigir que se faça uma lei para regular o que pode ou não ser cobrado em feito nestes certames e, assim, deixarmos de estar a mercê de bancas e organizadores que fazem o que bem querem e, fica tudo por isso mesmo!
Eis o disparate:
14.2.2 CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA OS EMPREGOS DE NÍVEL MÉDIO
LÍNGUA PORTUGUESA: 1 Compreensão e interpretação de textos. 2 Tipologia textual. 3
Ortografia oficial. 4 Acentuação gráfica. 5 Emprego das classes de palavras. 6 Emprego do sinal
indicativo de crase. 7 Sintaxe da oração e do período. 8 Pontuação. 9 Concordância nominal e
verbal. 10 Regência nominal e verbal. 11 Significação das palavras.
LÍNGUA INGLESA: 1 Compreensão de textos em língua inglesa. 2 Itens gramaticais relevantes
para a compreensão dos conteúdos semânticos.
LÍNGUA FRANCESA: 1 Compreensão de textos em língua francesa. 2 Itens gramaticais relevantes
para a compreensão dos conteúdos semânticos.
LEGISLAÇÃO: 1 Legislação da saúde: Lei n.° 8.080/90, Lei n.° 8.142/90 e Lei n.° 10.205/2001. 2
Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal – Decreto n.º
1.171/94 e alterações.
ATUALIDADES: Tópicos relevantes e atuais de diversas áreas, tais como segurança, transportes,
política, economia, sociedade, educação, tecnologia, energia, relações internacionais,
desenvolvimento sustentável e ecologia, suas inter-relações e suas vinculações históricas.