19.10.08
Opinião
Estou triste com o desfecho do caso Eloá. Lamento pelos familiares, pela Nayara que terá um trauma psicológico. No entanto, não comentarei muito sob o risco de mesmo sem intenção, beirar o sensacionalismo…Contudo, atrevo-me a dizer que acho que uma vez passada 48 h, no mínimo, e após horas de exaustiva negociações infrutíferas, a polícia deveria ter priorizado salvar as vítimas. Ora, se a equipe estava bem preparada, com atirador de elite, que atirassem no rapaz, sob certeza de ter somente a ele na mira, ou jogasse daquelas bombas de gás que deixam as pessoas tontas e provocam desmaios e entrassem para resgatar as meninas. Talvez, se assim o fizessem, o desfecho teria sido menos traumático. A questão é, a inversão de valores chegou a tal ponto incontrolável, que se prioriza mais defender ao bandido que a vítima. Aliás, não posso deixar de registrar parabéns ao advogado que não quis o ser do diabo e abdicou de defender o acusado. Este, tem ética. O mundo ainda tem jeito. Ora, o rapaz entrou ali na intenção de cometer, no mínimo, o crime de cárcere privado, é um pertubardo mental, diz amar, quando na verdade é obsessão e não amor, o que ele sentia e ninguém ali, apesar de supostamente preparado não soube perceber que não teria negociação? Ninguém pensou em dar um tiro, no braço, no ombro, nem que fosse para desequilibrá-lo enquanto rapidamente outros entrariam e salvariam as reféns? E o cúmulo da irresponsabilidade de deixar a amiga da vítima retornar ao local e voltar a ser refém? Onde estava o comandante da operação quando isso aconteceu?
Talvez pensassem que ao atirar teriam que posteriormente enfrentar ressalvas dos ativistas dos Direitos Humanos, o que seria bem provável, tendo em vista que eles defendem mais aos bandidos que aos cidadãos de bem, mas em se tratando de salvar uma vítima, sendo, talvez, o único jeito de encerrar a situação de cárcere privado, tendo-se já esgotado todas as tentativas de negociação por diálogo? Ah, a Imprensa errou também… Quem garante que de dentro do apartamento o sequestrador não via pela TV os passos da polícia? A Imprensa quer realmente esclarecer o que houve ao ouvir a Nayara, ou simplesmente fazer sensacionalismo barato para ganhar audiência na guerra declarada entre as emissoras de TV? Caramba, tiveram que ouvir do hospital a negativa de entrevistar a menina… Acho, que ela deve falar, mesmo assim, apenas quando se recuperar, somente com a justiça… Acho que a polícia deve pensar mais na proteção das vítimas, numa próxima situação similar, se houver, que a Imprensa deve repensar sua atuação quando for cobrir casos de intenso risco à vida de alguém e, principalmente que as pessoas parem de comentar coisas esdrúxulas sobre as vítimas, demonstrando desrespeito aos seus familiares. Também peço perdão pelo desabafo… É que me irrita ver o descaso para com as vítimas, enquanto os algozes são quase tratados a pão de ló. Maldita seja essa inversão de valores. 


criado por lili_as
19:07 — Arquivado em:
Comentário por Vanessa Soares — 20.10.08 @ 9:30
Oi Lica, tudo bem?!
Continuo acompanhando seu blog e concordo plenamente com esse seu último comentário a respeito do sequestro em Santo André. Mais uma vez, acho que sua comunicação escrita escrita melhorou muito! Boa sorte nos concursos! Um grande beijo, Vanessa.
Comentário por Tatiana Rezende — 21.10.08 @ 16:57
Ai, não aguento mais esse assunto… Só uma nova tragédia para esquecer essa?
Comentário por Lilly Soares — 22.10.08 @ 11:12
Cara Tatiana,
Não, não esperarei outra tragédia para esquecer essa, até pq Graças a Deus ainda tenho a capacidade de empatia, apesar de toda a banalização da violência. Esta opinião é muito mais o relato de uma cidadã indignada com um paÃs que tem uma legislação penal altamente defasada e, como se isso por si só, já não bastasse, é um paÃs que gde parte de seus “pensadores” e “especialistas” defendem aos bandidos, esquecendo de falar pelos cidadãos de bem e pelas vÃtimas. É um desbafo de quem assistiu mto na Discovery casos reais de crime, investigados pela polÃcia dos EUA e, percebeu o qto, sem bajulação, a polÃcia lá é mais competente, equipada e prioriza a vÃtima. Se a SWAT estivesse aqui, teria atirado no sequestrador e o desfecho poderia ter sido outro. É verdade que a mÃdia, além de simplesmente noticiar o fato, tende ao sensacionalismo, sei bem disso. Mas isso não anula meu direito de expressar revolta, com um sistema injusto, que beneficia aos bandidos com as infindáveis brechas na lei… e mto menos o sensacionalismo diminui minha capacidade de empatia, só pq o ocorrido não foi comigo, nem com ninguém que eu conheça. Reclamar de um sistema injusto, farei sempre que puder e tiver uma idéia para um bom texto, independente de um ou outro crime, do qual a mÃdia se aproprie para fazer seu sensacionalismo…
Comentário por Agent Lizzie — 22.10.08 @ 14:53
Corendo o risco de parecer “sem coração”, eu fiquei totalmente por fora desse assunto, quando estava acontecendo. Primeiro por estar sem tempo e segundo por achar que imprensa fez um circo com o caso… se pensar bem ainda está fazendo.
Analizar depois que ocorreu é muito fácil, mas vamos fazer isso. Eu penso que a imprensa, sim, teve culpa em certa parte, pois ela informava o tal namorado louco dos passos da polÃcia. Devia ter caontecido uma ajuda mútua entre a imprensa e a operação da polÃcia.
Esse caso foi muito discutido na aula de ontem na universidade e pasmem, a polÃcia tinha uma “base” legal para atirar no namorado doido. Só não saberia explicar, pois não faço direito, mas há alunos na minha sala que fazem e um falou dessa “base”.
Outra, será que ninguém viu filmes e seriados americanos? Pois que “invação da polÃcia foi aquela? O cara colocou uma mesa atrás da porta e a polÃcia tática não pensou nessa possibilidade?
Outra, o cara estava transtornado, seria capaz de qualquer coisa, o motivo dele não era material, era o sentimento…
Enfim, falta mesmo aqui no Brasil que seja criada uma força realmente treinada para esse tipo de situação, pois se a coisa continuar assim… Só Deus mesmo olhar´´a por nós.
Comentário por Lilly Soares — 23.10.08 @ 10:18
Sim Lizzie, concordo com você, a Imprensa errou mais que a polÃcia, informando ao bandido os passos da polÃcia e, mesmo sem ter cursado Direito, por estudar mto desta área pq cai nos concursos públicos e, no caso de Direito Penal, ler a respeito por gostar do assunto, acho que sei qual a base que seu colega falou, na lei, não é considerado crime qdo se mata alguém em legÃtima defesa, própria ou de terceiros, ou seja, esta seria a base legal p/ que a polÃcia matasse o namorado louco, legÃtima defesa das vÃtimas que se encontravam sob cárcere privado. Ora, o cara era desequilibrado, não é pq nas primeiras horas não havia feito nada, que nada faria. Incluso, não quis com minha opinião defender a Imprensa, acho sim, que ela errou bem mais que a polÃcia e infelizmente alguns só criticam a polÃcia… Mas me indigno, eqto cidadão, de saber que se Deus me livre e guarde uma coisas dessas um dia acontecer comigo, eu posso ser morta, pq se preocupam mais em proteger ao bandido do que as vÃtimas… Isso me revolta. Outra coisa, passadas 24h já deveriam ter invadido, cinco dias “negociando” com o bandido, ao meu ver, é mais uma socialização, do que negociação… Fora o erro de permitirem que a outra menina voltasse a ser refém…