1.9.08
Me engana que eu gosto…

Volto a repetir: cuidado com os supostos defensores dos direitos fundamentais que alegam defender a Constituição. Ontem, indignada, ouvi no Fantástico, o caso do jovem César Ferreira, de Tocantins, que dirigindo acima da velocidade permitida, atropelou um idoso e, diante das câmeras, ainda ousou zombar do ocorrido. A questão é, o jovem, recusou-se a fazer o teste do bafômetro. Com certeza, os críticos exacerbados da Lei Seca, o dariam razão, sob pretexto de defesa do direito assegurado pela Carta Magna de não produzir prova contra si mesmo e também pelo princípio da presunção de inocência. Me engana que eu gosto! Eu repito. Ainda acho que a questão, na realidade, é a preocupação com os lucros, que diminuíram com a lei em vigor, e não o desrespeito a Constituição em si, se é que ele existe. Explica-se: A Lei Maior, defende os direitos individuais e também os COLETIVOS - muitos fazem questão de se esquecer disso - e, numa vida em sociedade, o direito coletivo - em alguns casos - deve prevalecer sobre o direito individual. Sem essa, portanto, de defender quem se recusa a soprar no bafômetro; "Quem não deve, não teme". O pior, é que a família do jovem ainda teve o disparate - embora seja compreensível a família querer o bem dele, apesar de tudo - de entrar com pedido para que se responda em liberdade, porque o atropelamento foi uma mera "fatalidade". Ora, a zombaria do jovem com o ocorrido, demonstra que ele estava bêbado. Qualquer pessoa de bom senso, sabe que bebida (exagerada) e direção não combinam… O idoso, infelizmente estava na hora errada, no lugar errado… Mera Fatalidade? Repito: me engana que eu gosto. Ah, e outra pergunta que fica para reflexão: o jovem irresponsável tem quem olhe por ele, e a pobre viúva? Quem olhará por ela?
Dados - Brasil economiza R$ 48 mi com redução de acidentes nas estradas
Brasília, 20/08/08 (MJ) – O Brasil economizou R$ 48 milhões e poupou 159 vidas desde que a lei contra o álcool ao volante entrou em vigor, há dois meses. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (20), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Significa uma redução de 13,6% de vítimas fatais em relação ao mesmo período (20 de junho a 20 de agosto) no ano passado.
O dinheiro economizado representa 25% do orçamento anual da PRF. O suficiente para comprar 500 ambulâncias ou sete mil bafômetros para equipar todas as forças policiais nos estados. Em 2007, o país sofreu um prejuízo de R$ 6,5 bilhões por causa de acidentes somente em rodovias federais.
De acordo com o diretor-geral da PRF, Hélio Derenne, a economia é mais significativa para o setor público. O governo deixa de arcar, por exemplo, com novas aposentadorias por invalidez, uso de helicópteros, e viaturas, combustível e atendimento médico.
Fonte: Ministério da Justiça
OBS: Volto a repetir também, que o certo seria questionar o excesso de rigidez da lei. Realmente o limite de tolerância é inexistente e, existe sim, os que bebam responsavelmente, mas justamente por isso, deveria se questionar o excesso de rigidez, tentar resolver essa questão, ou provar que a diminuição nas estatísticas de acidentes de trânsito se deve puramente ao aumento de fiscalização e não questionar o mérito da lei.


criado por lili_as
18:51 — Arquivado em:
Comentário por Wilton — 2.9.08 @ 3:29
Essa lei é severa e totalmente inapropriada. Uma vez que beber é uma arte. Para aqueles que degustam vinho e destilados e sabem beber, esses jamais irão sofrer um acidente na rua, porque não ficam alcoolizados. Isso eu posso garantir. Eles sabem beber.
Uma vez uma amiga me dizia que para beber é preciso saber. Uma taça de vinho não faz mal a ninguém. Até porque é recomendado por médicos, uma taça no almoço e na janta que faz bem ao coração.
Logo repito a afirmação, essa lei é injusta com empresas de bebidas e com apreciadores de bebidas, sommeliers e degustadores.
Acho que 0,8% no influi em nada o indice de embebedamento. Deveriam era rever o indice alcoolico por um indice mais moderado, para que se possa beber fora de casa, nos restaurantes e pizzarias. Ninguém tem idéia de como isso está sendo chato para esses mercados.
Comentário por Lilly Soares — 2.9.08 @ 14:17
Mas então Wilton, respeitando sua opinião, é como eu digo: deveria se questionar o excesso de rigorosidade da lei… Não alugar uma forçada e suposta inconstitucionalidade e, defender bêbados irresponsáveis que ainda desrespeitam a lei, ouvem falar em inconstitucionalidade, repetem sem nem saber do que se trata, recusam-se a fazer o teste do bafômetro, e como no caso desse jovem, atropelam e matam um idoso, tendo o cinismo de alegar que foi mera fatalidade. Qualquer pessoa de boa senso, sabe que motorista alcoolizado não tem condição de dirigir, sendo não somente risco para outros, mas também para si próprio.
Comentário por Lilly Soares — 2.9.08 @ 14:20
Outro detalhe, você está cometendo um equÃvoco, que os donos de bares e restaurantes e demais crÃticos da lei cometem, ela não proibe de beber, apenas, proibe de beber e dirigir. E, perdão, mas num paÃs onde muitos são extremamente individualistas, e onde é costume impor que se respeite aos demais, tem que prevalecer a segurança no trânsito e o direito da coletividade e não o direito individual de alguns indÃviduos que gostam de beber até cair, demonstrando falta até, de amor próprio.